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BRINCAR, CONTAR E ENCANTAR: CAMINHOS SENSÍVEIS PARA O NUMERAMENTO

Entre pinhas, pedras e cores, nascem os primeiros encontros com os numerais.

O trabalho com o numeramento na Educação Infantil, especialmente com crianças de 2 anos, deve estar profundamente ligado às experiências concretas, ao brincar e às interações significativas. Nesse contexto, o numeramento vai muito além do reconhecimento dos numerais: envolve perceber quantidades, comparar, classificar, ordenar e estabelecer relações no cotidiano.

Propostas como as realizadas com cestos, pinhas, tampinhas, pompons, pedras numeradas e potinhos são excelentes exemplos de vivências significativas, pois convidam a criança a manipular, investigar e construir hipóteses. Ao explorar elementos naturais e materiais não estruturados, a criança desenvolve noções matemáticas de forma intuitiva. Por exemplo, ao colocar pompons em recipientes, pode experimentar ideias de “muito” e “pouco”.

Além disso, essas propostas favorecem o desenvolvimento dos movimentos de pinça, fundamentais para a coordenação motora fina, ao mesmo tempo em que possibilitam a quantificação, quando a criança conta, separa ou associa quantidades aos numerais.

Como destaca Oliveira (2017, p. 111), “as primeiras noções matemáticas trabalham características e aspectos que precisam ser observados e interpretados, bem como contextualizados de acordo com a realidade das crianças, por meio de situações-problema, materiais manipuláveis, diferentes atividades, desenhos ou histórias”.

Em nossas rodas de conversa, o uso do calendário também se mostra uma prática potente, mesmo com crianças pequenas. Ainda que não compreendam plenamente a sequência numérica ou o tempo cronológico, elas começam a reconhecer rotinas, antecipar acontecimentos e identificar marcas visuais, como numerais e símbolos.

A mediação do professor é essencial nesse processo, atribuindo significado às situações: “Hoje é dia 3, vamos contar juntos?”, “Quantos amigos vieram hoje?”, “Vamos contar quantos dias já se passaram?”.

Além disso, a organização do espaço, com um cantinho de exploração que contenha numerais visíveis e materiais acessíveis, favorece a autonomia e o protagonismo infantil.

Portanto, trabalhar o numeramento com crianças de 2 anos requer intencionalidade pedagógica, sensibilidade e escuta atenta.

 

Professora Lígia Paula Silva

 

📸 Fotos: Betânia, Lígia e Mariah

 

Referência Bibliográfica:

OLIVEIRA, Guilherme Saramago de. Metodologia do ensino de matemática na educação infantil. Uberlândia, MG: FUCAMP, 2017. 150 p.

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